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Blog da IBPC

Síndrome dos amigos de Jó
fevereiro 5th, 2010

Filed under Editorial Boletim

“Até quando entristecereis a minha alma e me quebrantareis com palavras?” Jó 19.2

“Câncer, eu? Como assim, doutor? Deve haver algum engano!”

“Não há engano. O diagnóstico é esse mesmo: câncer de mama. Mas você não está só. Estaremos juntos nessa caminhada.”

Foram estas as confortadoras palavras do meu mastologista, um homem de Deus. O medo que se apossou de mim parecia devastador.

É, o câncer me pegou de surpresa e fiquei perplexa. Tive uma infância simples, na roça. Nossa alimentação era saudável: frutas, legumes, verduras e cereais em abundância e sem agrotóxicos e pouca gordura animal (até mesmo por economia). Hoje, como nutricionista clínica, sempre pesquiso a influência da alimentação adequada nas diversas patologias. Embora existam muitos casos de câncer na família, esta situação não passava pela minha cabeça. Após a cirurgia, minha amiga, doutora Vera, me disse: “Viu como valeu a pena cuidar da alimentação? Vi que seu sangue e tecidos são muito saudáveis e isto vai contribuir para sua boa recuperação”. E é verdade.

Porém, o medo toma conta da gente: medo do desconhecido, da dúvida (e se…), da quimioterapia, da radioterapia e de seus desagradáveis efeitos colaterais. Percebi que o medo e as dúvidas vinham em forma de ondas: ora altas e ameaçadoras, ora calmas e tranqüilas. Meus cabelos caíram e, quando me olhei no espelho, tive um choque. Porém, ganhei lindos chapéus e comecei a usá-los com gosto – alguns até combinando com minhas roupas (que luxo!).

Meu marido, sempre companheiro e amigo, repetia: “Deus não prometeu livrar-nos dos vales, mas afirmou estar conosco sempre”. “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte não temerei mal algum porque tu estás comigo…” Pedi a Deus que substituísse o medo por esperança. Durante o tratamento, recebi as maiores demonstrações de amizade e carinho de pastores, igrejas, colegas de trabalho e especialmente do marido, filhos noras, genro, netos, cunhados, sobrinhos, primos, amigos e médicos que cuidaram de mim. Nesse período, aprendi que sou muito rica e não o sabia. Mensagens, telefonemas, flores, visitas e lindos versículos bíblicos constituíram “doce embalo para o meu coração”.
No entanto, algumas irmãs, querendo ajudar, disseram algumas frases que não tiveram esse efeito: “Você deixou de perdoar alguém? Guarda mágoa? Olha que seu câncer pode vir disso…”. “Você já investigou se fez algo errado para que Deus a punisse com essa doença?” “Não aceite. Determine. Rejeite o câncer em nome de Jesus. Essa doença é coisa de Satanás.” “Vamos orar para que Deus quebre essa maldição de família…” E muitas outras “pérolas” que não me confortaram. Ao ouvir essas frases, alguém me disse: “Essa é a verdadeira ‘síndrome dos amigos de Jó’” (lembre-se de que eles, ao visitá-lo, culparam-no pela doença, a ponto de ele os questionar [Jó 19.2]). Ao passar essas experiências para o leitor, sugiro que, ao visitar doentes, leve palavras de esperança e conforto: “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal…” (Cl. 4.6).

Embora ainda em tratamento, estou muito bem e meus cabelos já estão crescendo – mas não abri mão dos chapéus!

A cada dia minha fé é fortalecida e estou convicta de que viver com Jesus é melhor. Incomparavelmente melhor! É só experimentar.

Ah, e que Deus nos livre da “síndrome dos amigos de Jó”!

Cleds Bussinguer Lenz César

Published by admin



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