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Blog da IBPC

O Valor da Escola Bíblica no Contexto da Educação Cristã
16/07/2010

Irmãos, a IBPC esta trabalhando para construir um modelo educacional que atenda as necessidades da Igreja, ou seja, que culmine na sua identidade local.

O que fazemos hoje, de certa forma, determina o nosso amanhã. Movidos pela força do Senhor, a Igreja tem conseguido vitórias que demonstram compromisso com o Reino de Deus. Entretanto, nosso compromisso mais desafiador está na formação do cristão. A igreja, para alcançar o objetivo do ensino, precisa investir com muito amor na formação daqueles que estão caminhando na construção do Reino de Deus.

A Educação Cristã é a dimensão mais fundamental e significativa da missão que o Senhor Jesus Cristo entregou à sua Igreja: “ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mateus 28.20). “… até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina…” (Efésios 4.13,14). Entendemos que, como povo de Deus (I Pedro 2.9,10), devemos nos empenhar na vivência do evangelho e, principalmente, ensinando a verdade revelada e ministrada aos nossos irmãos em Cristo Jesus.

O valor da Educação Cristã está diretamente ligado à contextualização da mensagem bíblica e ao cotidiano do cristão, visando sempre dar-lhe condições de atingir a maturidade cristã. A formação da nova criatura em Cristo deve levá-lo à sua plena maturidade, através da operação do Espírito Santo.

O programa de Educação Cristã deve levar o educando a estudar a Bíblia, além de despertar o seu interesse para o exame mais amplo e profundo das Escrituras: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (João 5. 39). “Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica, pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim” (Atos 17.11).
Através de séculos, a Escola Bíblica tem sido um instrumento especial de educação. No sentido mais completo do termo, a Escola Bíblica é altamente significativa na vida da Igreja. Ela desempenha um papel importante no processo de continuidade da cultura religiosa que precisa ser transmitida às novas gerações. Além disso, a Escola Bíblica fortalece a visão doutrinária, na medida em que oferece um espaço aberto para pensar e repensar os aspectos fundamentais de nossa fé cristã. Em sua missão, ela vai mais longe ainda, pois sua vocação é formadora, evangelizadora e missionária.

Hoje estamos sendo convidados a uma reflexão séria em torno da Escola Dominical, pois do contrário a igreja local não cumprirá a sua missão no tocante à formação do cristão em todos os sentidos.
Façamos como a Igreja Primitiva: Todos os dias os que iam sendo acrescentados à igreja “… perseveravam na doutrina dos apóstolos…” (Atos 2: 42) até que estivessem bem firmes na fé e na vida cristã. Façamos também como o Apóstolo Paulo: exortemos os cristãos a andarem “… arraigados e sobreedificados em Cristo e confirmados na fé, assim como fostes ensinados…” (Colossenses 2:7).

Ore e participe da EBD.

Baseado em textos publicados na Revista Ensinador Cristão - CPAD

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Sonho Missionário de Daniel
16/04/2010

Numa Conferência Missionária o pregador falava sobre a necessidade de ofertas para a obra missionária. Ele desafiou cada pessoa presente, a orar e perguntar ao Senhor de quanto deveria ser a sua participação financeira para a obra de missões naquele ano.

Ao chegar em casa, Daniel orou ao Senhor conforme orientado pelo pregador. Ele dormiu e sonhou que viajava para visitar um campo missionário. Quando chegou ao país do seu destino, viu uma grande multidão no amplo saguão do prédio do aeroporto.

Algumas pessoas, naquela multidão, estavam sorridentes, bem vestidas e saudáveis, demonstrando grande alegria e contentamento. Entretanto, a grande maioria estava magra, vestia farrapos e revelava no olhar tristeza, incerteza e angústia.

Daniel nunca tinha visto, em toda a sua vida, olhares como aqueles. Ele se sentiu imensamente incomodado por aqueles olhares tão suplicantes e perguntou quem eram aquelas pessoas e por que se mostravam tão tristes. Responderam que eram os que ainda esperavam pela manifestação de amor do povo de Deus ao mundo.

Daniel sabia que o amor missionário de muitos já proporcionou que a mensagem de Deus chegasse a muitas pessoas naquele país, mas ainda não eram suficientes para levar as Boas-Novas a todo o povo. A grande maioria ainda precisava ser alcançada com o Evangelho da salvação. Eles ainda a esperavam por pregadores da Palavra, por Bíblias e por instrução bíblica.

Daniel acordou entendendo o significado do seu sonho. Aquelas pessoas são os bilhões que ainda estão esperando… esperando… esperando… esperando… Assim, naquele mesmo instante, em oração, ele firmou um propósito com Deus: “Farei o meu melhor para ajudar os povos que estão espalhados pelo mundo, mas que não foram alcançados pela mensagem do evangelho.”

Muitos, ainda, estão esperando a manifestação dos filhos de Deus ao mundo, a Igreja de Cristo. Será que muitos ainda estão esperando também sonhar com o apelo de missões, para dizer sim ao chamado de Cristo?

Pr. Sebastião Lúcio Guimarães
Ex-missionário de Missões Mundiais na África do Sul

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O Sorriso de Deus
26/03/2010

Uma jovem mãe procurou nossa ajuda trazendo duas crianças queimadas, o que chamou atenção de todo mundo no pronto socorro. Aquela foi a primeira vez que a encontrei, naquele lugar, e perguntei-lhe o que tinha acontecido. Ela só respondeu rudemente, “fogo”.

Olhando para aquelas crianças queimadas no rosto e nos braços, percebi que a mão de Deus estava naquela situação, pois havia livrado os olhos da criança menor, que deveria ter uns sete meses. Toquei na pequena e disse: “Deus é bom, guardou os olhos dela”. A mãe apenas me olhou, seriamente.

Um outro dia, ao socorrer alguém na emergência do Hospital Central do Dondo, encontrei aquelas duas crianças. O pai estava com a maior, de uns cinco anos, fora da sala; ela chorava muito. A menor estava ainda fazendo curativo, gritava de dor; e a mãe a segurava. Aproximei e perguntei ao pai, o que tinha acontecido. Ele falou que as crianças estavam brincando, fazendo comida em latas e o fogo pegou na capulana e queimou as duas.

A maior sangrava na ferida da queimadura que fora trocada as gases; a pequena gritava desesperadamente. Percebi que o hospital não tinha as ataduras próprias e me ofereci para ajudar, dando o medicamento. Mandamos comprar uma parte, a outra levamos do nosso posto de saúde. Depois, o pai foi buscar o medicamento em nossa igreja.

Tempos depois fui ao hospital e ao entrar, nem reparei na mulher que estava sentada com um bebê na capulana e uma outra ao lado dela, mas sentir os olhares sobre mim. Virei-me e vi o sorriso. Eram elas, a mãe e as meninas já sem curativos. A cicatriz era grande, mas não foi isso que vi… Foi o sorriso mais lindo no meio de tantos que recebo todos os dias aqui. Um sorriso que encantava aquele rosto deformado. Era a menina maior, que me olhava e sorria para mim.

Ainda quando escrevo, vejo aquele sorriso e as lágrimas me vêm aos olhos. Que prêmio maravilhoso! Apenas por um momento de atenção e um medicamento que fizeram toda a diferença. Então olhei em direção a mãe, ela também sorria e ao mesmo tempo, me saudava e agradeciam inclinando a cabeça.

Sabe, Deus sorriu para mim! Sim, este foi o meu sentimento, lembrando a palavra que diz: “Quando fizer por um desses pequeninos, fazemos por ele”. E naquele sorriso eu via as ofertas, as orações e as mensagens de cada pessoa que nos apóia nessa obra. Pois Deus sorri para nós quando o Seu povo nos abençoa.

Noêmia Cessito
Missionária de Missões Mundiais em Dondo – Moçambique

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A Parábola do Grão de Mostarda
20/03/2010

Nunca vi um grão de mostarda e muito menos sua árvore! Na época de Jesus ele era bem conhecido. A comparação do Reino de Deus com esta pequena semente, segundo Marcos 4: 30-34, tem tudo a ver com nossa realidade no Senegal. Jesus ensina que, no seu Reino, o pequeno tem muito valor.

É preciso estar bem atento aos valores do Reino de Deus. O Deus que reina é soberano, grande, todo poderoso, majestoso… mas também é aquele que estabelece Seu reino com bases duradouras, e que muitas vezes são bem pequenas.

Olhar para um grão de mostarda hoje e crer no que ele pode ser amanhã; é um desafio aos nossos padrões modernos de fazer missões. Uma árvore não cresce de um dia para o outro. A numerologia evangélica brasileira tem nos feito adoecer. Quando vemos, alguns números, megaeventos, imaginamos que aí está nossa força. Que engano! O Reino de Deus dá seus sinais como um grão de mostarda. Com o tempo, o que não era visto torna-se visível e frutífero. Assim é o Reino.

Aqui no Senegal, onde o reino das trevas é maioria, estamos como grãos de mostarda. Meu coração enche-se de alegria e esperança com esta parábola. É Deus dizendo todos os dias: “Semeie, cuide, plante e trabalhe que a árvore virá”.

Nosso projeto chama-se “Fábrica de Esperança”. É um trabalho nas áreas de saúde e esporte numa comunidade carente. A escolinha de futebol tem quatro anos e inauguramos o Centro Médico Esportivo no ano passado. Temos contato diário com essa comunidade, de predominância muçulmana. São pessoas que temos aprendido a amar e respeitar. Investimos tempo nos atletas e seus familiares, trabalhando para que tenham boa saúde, educação e esperança de um futuro melhor.

Em meados de 2006 fomos convidados por um projeto evangélico com meninos de rua, para fazer um jogo amistoso. Os adolescentes desse projeto foram recuperados das ruas e hoje servem a Jesus. Vencemos por 5 a 1, mas o melhor estava por vir: após a partida, eles nos levam para uma sala para comermos juntos. Antes, porém, aqueles meninos fizeram um programa com música, teatro e testemunho. Eles fizeram tudo, não foram os missionários. Ouviram na sua própria língua o que Deus fez naqueles outros meninos. Meu coração pulava de alegria, vendo aqueles grãos de mostarda sendo semeados! Ainda não são árvores, mas em nome de Jesus, um dia serão!

Dr. Humberto Chagas
Missionário de Missões Mundiais em Dacar; Senegal

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Síndrome dos amigos de Jó
05/02/2010

“Até quando entristecereis a minha alma e me quebrantareis com palavras?” Jó 19.2

“Câncer, eu? Como assim, doutor? Deve haver algum engano!”

“Não há engano. O diagnóstico é esse mesmo: câncer de mama. Mas você não está só. Estaremos juntos nessa caminhada.”

Foram estas as confortadoras palavras do meu mastologista, um homem de Deus. O medo que se apossou de mim parecia devastador.

É, o câncer me pegou de surpresa e fiquei perplexa. Tive uma infância simples, na roça. Nossa alimentação era saudável: frutas, legumes, verduras e cereais em abundância e sem agrotóxicos e pouca gordura animal (até mesmo por economia). Hoje, como nutricionista clínica, sempre pesquiso a influência da alimentação adequada nas diversas patologias. Embora existam muitos casos de câncer na família, esta situação não passava pela minha cabeça. Após a cirurgia, minha amiga, doutora Vera, me disse: “Viu como valeu a pena cuidar da alimentação? Vi que seu sangue e tecidos são muito saudáveis e isto vai contribuir para sua boa recuperação”. E é verdade.

Porém, o medo toma conta da gente: medo do desconhecido, da dúvida (e se…), da quimioterapia, da radioterapia e de seus desagradáveis efeitos colaterais. Percebi que o medo e as dúvidas vinham em forma de ondas: ora altas e ameaçadoras, ora calmas e tranqüilas. Meus cabelos caíram e, quando me olhei no espelho, tive um choque. Porém, ganhei lindos chapéus e comecei a usá-los com gosto – alguns até combinando com minhas roupas (que luxo!).

Meu marido, sempre companheiro e amigo, repetia: “Deus não prometeu livrar-nos dos vales, mas afirmou estar conosco sempre”. “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte não temerei mal algum porque tu estás comigo…” Pedi a Deus que substituísse o medo por esperança. Durante o tratamento, recebi as maiores demonstrações de amizade e carinho de pastores, igrejas, colegas de trabalho e especialmente do marido, filhos noras, genro, netos, cunhados, sobrinhos, primos, amigos e médicos que cuidaram de mim. Nesse período, aprendi que sou muito rica e não o sabia. Mensagens, telefonemas, flores, visitas e lindos versículos bíblicos constituíram “doce embalo para o meu coração”.
No entanto, algumas irmãs, querendo ajudar, disseram algumas frases que não tiveram esse efeito: “Você deixou de perdoar alguém? Guarda mágoa? Olha que seu câncer pode vir disso…”. “Você já investigou se fez algo errado para que Deus a punisse com essa doença?” “Não aceite. Determine. Rejeite o câncer em nome de Jesus. Essa doença é coisa de Satanás.” “Vamos orar para que Deus quebre essa maldição de família…” E muitas outras “pérolas” que não me confortaram. Ao ouvir essas frases, alguém me disse: “Essa é a verdadeira ‘síndrome dos amigos de Jó’” (lembre-se de que eles, ao visitá-lo, culparam-no pela doença, a ponto de ele os questionar [Jó 19.2]). Ao passar essas experiências para o leitor, sugiro que, ao visitar doentes, leve palavras de esperança e conforto: “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal…” (Cl. 4.6).

Embora ainda em tratamento, estou muito bem e meus cabelos já estão crescendo – mas não abri mão dos chapéus!

A cada dia minha fé é fortalecida e estou convicta de que viver com Jesus é melhor. Incomparavelmente melhor! É só experimentar.

Ah, e que Deus nos livre da “síndrome dos amigos de Jó”!

Cleds Bussinguer Lenz César

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Quando o inverno chegar
22/01/2010

“Sendo o rei Davi já velo e entrado em dias, envolviam-no com roupas, porém não se aquecia.” 1 Reis 1.1

O Livro de Reis começa com um triste relato. Davi, já de idade muito avançada, encontra-se terrivelmente só. Os seus servos, vendo que as roupas não podem mais aquecê-lo, deparam-se com uma realidade muito constrangedora: “Procure-se para o rei nosso senhor uma jovem donzela, que esteja perante o rei, e tenha cuidado dele, e durma nos seus braços, para que o rei nosso senhor se aqueça.” (v. 2)

Qual o fato constrangedor desse relato? O simples fato de Davi que, possuindo muitas mulheres, vários filhos e filhas, necessite, porém, no fim da vida contratar uma pessoa para aquecê-lo. Termina desoladamente só. Por que termina Davi assim? Certamente porque seus relacionamentos estavam calcados em posições, cargos, dinheiro e na utilidade de ser amigo do rei.

Quantos de nós construímos amizades em busca de prestígio, fazendo dos amigos escadas para galgarmos nossos objetivos. Mas os verdadeiros amigos descobriremos quando o inverno chegar, pois as roupas e o dinheiro não mais terão valor algum. Todos aqueles que atravessam momentos difíceis na vida concordam em que aqueles amigos das noitadas, do riso fácil e das rodas sociais desapareceram. Correram em busca de amizades mais úteis. E agora…?

Construa suas amizades e relacionamentos com o objetivo de servir. A Bíblia Sagrada nos diz que aquilo que o homem plantar, isso certamente colherá. (Gálatas 6.7) Dê amor, semeie amizade sincera, e mais na frente, quando o inverno chegar, você receberá de volta tudo o que investiu. Sei que os homens podem ser infiéis, esquecer e desamparar, porém o Senhor não o desamparará. Nos momentos mais difíceis ele estará ao seu lado. Invista sua vida em Deus, e você encontrará nele um amigo mais achegado que um irmão. (Provérbios 18.24) Sua promessa ainda permanece: “Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos”. (Mateus 28.20)

Ricardo Gondim

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Falar é prata
15/01/2010

Este ano pretendo falar menos. Dizem que precisamos falar 15 mil palavras diárias para manter a sanidade. Será que precisamos dizê-las mesmo que ninguém esteja ouvindo – ou gostando? E se a família se encontrar à noite, todos com suas cotas vencidas?

Bem, fica decidido também que, se eu sentir que estou entrando em crise de abstinência, então passarei a conversar com um gravador.

Falando sério, eu gostaria de evitar aquela sensação de “músico de churrascaria”, que toca para ninguém (mas, se faz um intervalo, o povo reclama, porque está pagando).

Não é birra, não. Na verdade, a intenção é ser mais relevante no falar. E, para isso, só falar quando for relevante (calar é ouro) – para quem ouve.

Para viabilizar esse propósito, fixo algumas metas, no coração.

Tentarei me calar quando alguém estiver falando. Falar junto pode trazer um clima de “grande família” à conversa, mas cai na categoria “churrascaria”. Um recurso usado nessa hora é elevar a voz (90 decibéis está bom) para sobrepor e fazer o outro calar. Tipo “vencer a parada” – e gozar do raro prazer de completar a frase.

Nesse mesmo sentido, quero aprender a me calar quando for atropelado por outros falantes. Isso porque, mesmo que eu já esteja com o direito adquirido, se o outro começar a falar antes de eu terminar, minha fala já estará carimbada de irrelevante.

Quero ficar atento ao interesse dos meus interlocutores. Tenho a tendência de continuar falando só para completar a idéia, quando já estão de costas para mim (ou quando o grupo já desviou a atenção para outro, com cota vencida). Essa contínua avaliação, além de me ensinar sobre relevância, me ajudará a ser interessante no falar e a transmitir “graça aos que ouvem” (Efésios 4.29).

Para falar menos, e ainda assim trazer graça, precisarei ser mais construtivo. São poucos os que se interessam por críticas - e por críticos. Portanto, análises impiedosamente sérias, só a pedido. E nunca um grupo, pois podem não interessar a todos.

Outra idéia: linguagem ácida ou irônica, só se for engraçado. Como elemento de veemência ela pode passar a idéia de amargura. Falar mal de pessoas, nem a pedido.

Finalmente, investirei em diálogos genuínos. Porém compensarei economizando em discussões, em ameaças – aqui precisarei cuidar também do olhar -, broncas e em conselhos não solicitados.
Pedirei a Deus que me ensine a encontrar mais prazer no ouvir do que no falar.

Fui convidado a pregar numa grande igreja. Noite de muita agitação. Caravanas chegando. Mais de 5 mil lugares. Comecei o sermão e o movimento continuava.

Eu ainda saudava a igreja quando chegou um político, em campanha eleitoral, com seu séquito. Como eram evangélicos, subiram ao grande púlpito. Terminei a leitura bíblica e ainda havia gente arrastando cadeiras atrás de mim, para acomodar a comitiva ilustre. Percebendo estar falando sozinho, fiz um teste. Levantei a voz e disse: “E que Deus, assim, nos abençoe – amém, irmãos?”. Ouvi um grande amém. Fechei a Bíblia, passei a palavra, e ninguém estranhou. Acho que fui construtivo.
“O que guarda a boca e a língua guarda a sua alma da angústias” (Provérbios 21.23)

Rubem Amorose
Extraído da Revista Ultimato – Janeiro/Fevereiro de 2010

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Hábitos que transformam
08/01/2010

Em 1989, o reverendo John Stott veio ao Brasil para falar num dos congressos da VINDE – Visão Nacional de Evangelização. Depois de uma de suas palestras, nos reunimos para conversar com ele. Era um grupo pequeno de jovens pastores, sentados em torno de um dos maiores expositores bíblicos de nossa geração, perto de completar 70 anos. A conversa seguiu animada. Ele nos deu liberdade para perguntas pessoais e, entre outras, não faltaram aquelas sobre o porquê de não se casar.

Porém, de todas, guardei apenas a resposta que ele deu quando lhe perguntaram sobre a razão do seu longo ministério tão frutífero. Ele respondeu: “Leio a Bíblia e oro todos os dias, vou à igreja todos os domingos e nunca falto à celebração da Eucaristia”. A resposta foi surpreendente por sua simplicidade.

Sabemos que ler a Bíblia e orar todos os dias, ir aos cultos e participar da Ceia nunca foram, por si só, sinais confiáveis de espiritualidade, muito menos um caminho seguro para a maturidade. Muitas pessoas fazem isso por puro legalismo. Por outro lado, sabemos também que não fazer nada disso é um caminho seguro e certo para o fracasso espiritual.

O doutor James Houston, criticando o abandono da leitura devocional em nossos dias por uma literatura funcional e pragmática, afirma: “Os hábitos de leitura do chiqueiro não podem satisfazer a um filho e aos porcos ao mesmo tempo”. A o usar a imagem da Parábola do Filho Pródigo, ele nos chama a atenção para o risco de nos acostumarmos com a vida do chiqueiro. Para Houston, as práticas devocionais nos ajudam a perceber que existe algo maior e mais excelente na vida de comunhão com o Pai. O reverendo A. W. Tozer (1897-1963) escreveu um artigo afirmando que “Deus fala com o homem que mostra interesse”, e que “Deus nada tem a dizer ao indivíduo frívolo”.

Mais do que cultivar o hábito de ler a Bíblia, orar e participar do culto, o que na verdade fazemos quando cultivamos estas práticas devocionais é demonstrar o interesse vivo que temos por Deus e por sua Palavra. Da mesma forma como a vida necessita do básico (ter o suficiente para comer e vestir, onde descansar, etc.), a natureza da vida espiritual repousa sobre o que é essencial (Bíblia, oração, comunhão, adoração e missão). São esses hábitos básicos que nos colocam no lugar onde podemos experimentar a graça de DEUS e crescer.

Ricardo Barbosa de Souza
Extraído da Revista Ultimato – Edição Novembro/Dezembro de 2009

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Eu Quero Ser Cristão! “Evangélico” Não!
31/12/2009

Acho que o título desse texto já expressa bastante o que pretendo escrever aqui. Se você parar aqui tudo bem, não tem problema. O sentido é esse mesmo: não quero mais ser “evangélico” e sim cristão. Por que? Porque a cada dia tenho visto que a palavra “evangélico” não tem mais nada a ver com as Boas Novas de Jesus e Seu Reino, e sim com um grupo religioso ávido por poder e crescimento, que se preocupa menos em ser do que em parecer ser; e se foca muito mais numa espiritualidade estética e superficial, baseada em trejeitos e estereótipos, do que no amor a Deus e ao próximo.

Quero ser cristão, porque isso não é um rótulo e sim um perfil, uma característica, uma marca! A marca daqueles que foram comprados pelo sangue de Jesus e que, agora, depois de limpos e salvos, procuram viver da forma como Seu Mestre viveu na Terra. É a marca daqueles que servem a um Deus e não a um pseudoapóstolo ou qualquer outro “ícone” do mercado gospel.

Quero romper com a religiosidade que mata a ação do espírito e me torna um tirano da fé, ávido por uma falsa ortodoxia, que inutilmente tenta existir sem o amor. Isso me dá vergonha! Isso mesmo, vergonha! Pois não se trata do Evangelho de Cristo e deve ser denunciado e combatido!

Quero voltar à Bíblia e ao real significado da Palavra de Deus para a minha vida! Renunciar às interpretações tendenciosas e fundamentalistas que tentam forçar as pessoas a servirem ao Senhor através do medo e do terror! Ora, isso é terrorismo evangélico e, também, deve ser denunciado.

Quero ser apenas um cristão… Alguém que luta contra o pecado, não por medo e sim por amor; amor Àquele que numa cruz derramou muitas gotas de sangue por mim, e que me mostrou que Deus pagou um preço muito alto para se relacionar comigo e me fazer um pouco mais parecido com Ele. Quero ser cristão… Alguém que tenta, a cada dia, amar mais a Deus e também aos que me cercam… e ponto. Nada mais do que isto.

Toni Melo
Fonte: http://www.bibliaworldnet.com.br/index.asp

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Evangelho a 1,99
18/12/2009

A graça barata é vendida por aí como nestas lojas de quinquilharias – não custa muito, mas é de qualidade duvidosa

Há cerca de uns dez anos, começaram a surgir aquelas lojas que ofereciam “tudo” ao preço de R$ 1,99. Elas logo viraram uma febre, por oferecer toda sorte de produtos baratos, embora de qualidade duvidosa. Bem antes disso, lá por meados do século passado, um teólogo chamado Bonhoeffer mencionou que muitos abraçam uma graça barata, descompromissada e que não requer nenhuma transformação interna e radical de vida. A versão moderna da graça barata é muito mais sofisticada e cheia de requintes, mas também oferece um evangelho sem a necessidade de transformação radical de vida. É uma graça que prega um Deus bonachão, feito Papai Noel, que concede as benesses do céu agora aqui e agora, neste mundo. É um Deus que está aí para oferecer um projeto de vida boa. Uma visão mercadológica da fé, em que a palavra de ordem é ter uma vida onde os sofrimentos inexistem – bem, quem não experimenta isso é porque está com algum “encosto”. A graça barata é caracterizada por uma religiosidade sem princípios e compromissos éticos. Ela tem uma concepção animista de um mundo dominado por forças ocultas e malignas que vivem em eterno conflito com as forças do bem. É caracterizada por uma teologia da prosperidade e por negociatas com Deus que fariam morrer de vergonha os vendedores de indulgências no passado. A graça barata é orientada às necessidades, em vez do arrependimento, da auto-negação da vida. É um evangelho que foge da cruz como o diabo dela também foge, mas que quer os benefícios da ressurreição de Jesus. Essa graça barata é como aquelas quinquilharias vendidas por aí a R$ 1,99 – não custa muito, mas também não vale nada, pois é uma graça que focaliza apenas o interesse do fiel em querer mais de Deus e dar menos de si a ele. É barata em termos espirituais, mas cara em termos materiais, pois muitas comunidades que a pregam cobram altas taxas de adesão e de intermediação com o sagrado. As publicidades e os depoimentos na TV não falam desse custo, mas se você for lá na hora do “show”, verá que sem pagar, nada feito. Infelizmente, muita gente bem intencionada está cai neste “conto do pastor”, acreditando que está entregando a sua alma a Jesus, mas na realidade está se escravizando a uma espécie de fidelização – para usar termo da moda – da fé. E muitas igrejas históricas e seus pastores demonstram estar em desespero vendo esses grupos crescerem e seus bancos ficarem vazios, e assim, acabam sendo tentados a baratear o evangelho arreganhando a porta estreita do céu. Quem opta pela graça natural, a divina mesmo, considera o custo do precioso sangue de Jesus que foi derramado e busca atender, na dependência divina, o abandono do pecado. A verdadeira graça de Deus levará a pessoa a uma busca pelos caminhos da retidão, santidade e justiça. Vamos repensar o evangelho que temos pregado – será que é o “outro” evangelho, citado em Gálatas 1.6-9?

Lourenço Stelio Rega
é teologo, educador e escritor.

Fonte: http://www.eclesia.com.br/revistadet1.asp?cod_artigos=21

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